Não existe, nas ações do Ministério da Educação, algo que se possa chamar
“ideologia de gênero”. O que temos é uma realidade: jovens que em torno dos 14
anos, uns antes outros depois, percebem transformações no seu corpo e o
surgimento da questão sexual. Elas e eles se descobrem de formas bem
diferentes. A grande maioria será heterossexual, mas há uma minoria que será
homossexual e alguns se descobrirão transexuais.
Mas os números não importam – a não ser para indicar que as diferentes formas
de viver a sexualidade são uma realidade que se impõe a todos nós. O que
importa, então, é que todas as pessoas devem ser respeitadas em sua orientação
sexual, excluída toda forma de abuso. Não se pode impor a alguém uma conduta
sexual que não seja a sua. Não se pode induzir um heterossexual a se comportar
como homossexual, nem o contrário. O máximo que se consegue, após muita
pressão, é fazer a pessoa recalcar o desejo que sente. O que somente gera
problemas adicionais, para ela e seu entorno.
A escola tem de ser acolhedora na diversidade de modos de ser que há no mundo,
e isso inclui a diversidade religiosa, étnica, cultural, sexual e de gênero. Sexo é
apenas um exemplo entre muitos outros, e deve ser discutido à luz do
conhecimento científico. Na verdade, quando não se trata do sexo na sala de aula,
o resultado é aumentar a gravidez na adolescência, crescerem as doenças
venéreas, ocorrer o abuso sexual. Quanto menos se fala de sexo de forma
científica, mais os adolescentes tratam dele por sua conta, inclusive nas
plataformas sociais.
Algumas pessoas dizem que cabe apenas à família abordar este assunto. É
evidente que a família deve educar seus filhos, inclusive falando de sexo e de
amor. Mas isso não implica proibir a discussão do sexo na escola. Repito: o preço
do silêncio sobre o sexo é a adolescente grávida, a jovem abusada sexualmente,
a doença venérea, inclusive a letal AIDS, ceifando vidas de rapazes e moças.
Finalmente: em 2014, no dia 22 de abril, a Câmara dos Deputados modificou o
texto do Plano Nacional de Educação. O texto original dizia: “São diretrizes do
PNE a superação das desigualdades educacionais, com ênfase na promoção da
igualdade racial, regional, de gênero e de orientação sexual”. O novo texto diz que
um dos objetivos do PNE é a “erradicação de todas as formas de discriminação”.
Isso, para mostrar que temos um Plano Nacional de Educação comprometido com
a erradicação de TODAS as formas de discriminação – o que inclui, entre os
comportamentos a serem corrigidos, o machismo e a homofobia, que são formas
de discriminação.

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